A indústria das viagens está atualmente a passar por uma enorme mudança estrutural, impulsionada pela rápida adoção tecnológica e por um pivô estratégico voltado para viajantes de alto valor. Desde a integração da inteligência artificial até à evolução dos programas de fidelização, vários desenvolvimentos importantes estão a redefinir a forma como as companhias aéreas, os hotéis e as plataformas de reservas operam.

A crise de identidade no marketing de viagens

Apesar do enorme influxo de investimento em tecnologia de marketing, muitas marcas de viagens enfrentam um problema fundamental: não conseguem identificar com precisão quem são os seus clientes.

Um guia recente da Wunderkind destaca uma “lacuna de identidade” significativa que está a prejudicar o desempenho em todo o sector. Embora as empresas tenham as ferramentas, elas não têm a capacidade de resolver identidades individuais em seus dados. Essa lacuna é importante porque:
Reservas Diretas: Sem saber exatamente quem é o usuário, as marcas lutam para converter navegadores casuais em clientes diretos.
Eficiência de marketing: Dados imprecisos levam ao desperdício de gastos em campanhas amplas e ineficazes, em vez de divulgação personalizada.
Otimização de canais: As marcas não poderão maximizar totalmente seus canais de marketing existentes se não conseguirem acompanhar a jornada do cliente, desde o clique até a reserva.

IA: Abordagem “Bottom-Up” da Agoda

Embora muitas empresas estejam apenas adicionando recursos de IA aos sistemas existentes, a Agoda está adotando uma abordagem mais radical. O CEO da empresa afirmou que a Agoda está reconstruindo o seu modelo de negócios desde o início, usando vários agentes de IA.

Esta estratégia coloca a Agoda à frente da grande maioria da indústria em termos de integração técnica. No entanto, esta mudança levanta uma questão crítica para o setor: Serão os agentes especializados de IA suficientes para dominar o mercado, ou será que o surgimento de grandes modelos de linguagem (LLMs) massivos, capazes de lidar com fluxos inteiros de reservas, irá perturbar o cenário atual?

O valor estratégico da lealdade e das parcerias

A era pós-pandemia assistiu a um aumento na procura de viagens premium, uma tendência que se tornou o principal impulsionador dos lucros da indústria. Para captar este grupo demográfico de elevados gastos, as empresas dependem cada vez mais de parcerias ecossistémicas.

Expandindo a utilidade das milhas

Um excelente exemplo é a United Airlines, que expandiu sua parceria com a Lyft. Ao permitir que os membros resgatem milhas de passageiro frequente por viagens, as companhias aéreas estão tornando seus programas de fidelidade mais integrados a toda a viagem do viajante, e não apenas ao voo em si.

A mudança em direção aos viajantes premium

Esta tendência para programas de fidelização de “estilo de vida” é uma resposta à elevada rentabilidade dos viajantes premium. Ao incorporar recompensas de fidelidade nas atividades diárias (como compartilhamento de viagens), as companhias aéreas garantem que sua marca permaneça